14 de agosto de 2017

Agricultores da região de Irecê investem em tecnologia para aumentar a produção



O território de Irecê é uma das microrregiões do estado brasileiro da Bahia pertencente à mesorregião Centro-Norte Baiano. Sua população foi estimada em 2015 pelo IBGE em 400.063 habitantes, e está dividida em 20 municípios. A região possui uma área total de 17.379,725 km². A vegetação que predomina é a caatinga e a área faz parte do polígono das secas.

Os agricultores conseguem fazer da região, uma das mais produtivas do Nordeste. A região foi destaque neste domingo (13), no programa Bahia Rural.

Em Presidente Dutra, os pomares de pinha se destacam. A exportação da fruta para o País, sobretudo para os estados do Sudeste é o carro-chefe da economia. O município recebe o título de Capital da Pinha. Diversos empregos são gerados com a produção, no campo e nos depósitos, onde são selecionados e embalados os frutos. A lavoura é produzida através de irrigação com poços artesiano.


Jussara, outro município da região, a criação de caprinos e ovinos mantém a economia em alta. Existe também uma cooperativa dos empreendedores rurais, com produtos derivados de ovinocaprino (carne, leite, pele e artesanato). A cooperativa é formada por cerca de 200 produtores que estão ganhando dinheiro com a produção de leite de cabra, principalmente. O leite é vendido para municípios da região, como São Gabriel e Xique-Xique, por exemplo.



Já João Dourado é conhecido como a Capital da Cebola. São mais de 300 hectares plantados. Nesse período (entressafra), tem gente plantando no município para aproveitar o preço da cebola. A colheita é manual e gera milhares de empregos. A produtividade é uma das mais altas do País, em média 135 toneladas por hectare. A maioria das plantações está nos municípios de João Dourado, América Dourada e Cafarnaum. Só esses três municípios produzem por ano mais 35 mil toneladas de cebola, o que ajudou a Bahia a subir no ranking nacional – da 5ª para 2ª posição nos últimos 13 anos. A agricultura gera emprego no campo, lota os armazéns e movimenta os depósitos de beneficiamento, onde passa por um processo de limpeza e ensaque para ser escoada pela estrada que era do feijão, para todo Brasil.

Aproximadamente 35 quilômetros de Irecê, o município de Central guarda parte da história da humanidade, e é um acervo arqueológico com mais de 400 sítios já catalogados e milhares de pinturas rupestres que registram a passagem do homem pré-histórico por esta região. Este é um território antigo, um lugar do passado, mas aberto para um futuro de novas histórias. O município é considerado o Epicentro da Arqueologia.




Em Uibaí, o gado leiteiro vem ganhando espaço entre os pequenos pecuaristas. Com o leite são feitos queijos e doces que correm o mundo. A qualidade das vagas na produção de leite é um ponto importante, onde tem vaca que produz 45 litros de leite por dia. A plantação de palma garante o alimento para os animais no período de estiagem. O leite produzido nas fazendas é levado para o laticínio na localidade de Caldeirão, que é mantido pela associação de produtores rurais.


Já em Lapão, a mamona lidera a economia. Uma fábrica de óleo de mamona agrega valor ao produto final, fomenta agroindustrialização e cria novos empregos.


Irecê, principal cidade da região, existe a Praça do Feijão, e por onde passa ainda a famosa estrada também do feijão. Mas há muito anos, os caminhões que passam por ela não transportam mais o grão.

O cenário é diferente das décadas de 80 e 90, quando a região de Irecê se destacou como a 2ª maior produtora de feijão do País. Irecê ganhou o título de Capital Mundial do Feijão. O cultivo era de sequeiro e contava com chuva regular. Segundo o IBGE, nos ano 90, a região de Irecê chegou a produzir mais 5 milhões de toneladas de feijão por ano. Eram mais de 300 mil hectares plantados. Mas nos últimos anos, a área plantada caiu e não passa de 27 mil ha. Desde o ano passado não chove forte na região. De janeiro a julho foram apenas 200 milímetros. O índice pluviométrico é considerado muito baixo.

Mas apesar da seca, os agricultores continuam produzindo alimento. O território tem um solo fértil e faz parte da Bacia do São Francisco e conta ainda com a reserva de água do aquífero de Irecê, reserva subterrânea que armazenam água. Foi aproveitando essa reserva, que nas últimas décadas a irrigação ganhou força na região.



Estima-se que nesse território, existam mais 70 mil poços artesianos que fazem a captura de água do subsolo que abastece as plantações. São vários reservatórios construídos nas roças e fazendas. Apesar da ameaça do esvaziamento do lençol freático, essa é a alternativa dos agricultores para continuar produzindo. As plantações irrigadas formam verdadeiros oásis no meio da caatinga. É assim no município de América Dourada, onde o sistema irrigado mantém firme a produção de hortaliças e legumes. Sistema também usado em outra fazenda entre Uibaí e Ibititá. Aos pés da serra, a plantação verde impõe na paisagem – é a lavoura de alfafa (planta forraginosa; família das leguminosas). Hoje a alfafa ocupa mais de 20 hectares com o pivô central. Antes, nas terras eram cultivados o feijão. A lavoura da alfafa não exige replantio. Após o corte ela rebrota em menos de cinco semanas. Renda e tecnologia no meio do sertão reduzem em 95% os custos com mão de obra. Antigamente o serviço era feito manualmente. A produção é considerada altamente rentável. Usada como suplemento na alimentação humana, mas a maior parte da alfafa produzida na fazenda é comprada por criadores de todo o Brasil.

O território de Irecê é rico em solo fértil e de agricultores dispostos em mudar o rumo da história.


Texto transcrito pelo Central Notícia da matéria do Bahia Rural
Jornalista Luciano Castro
DRT: 5379/BA

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