16 de janeiro de 2017

Irecê sedia debate com comunidades quilombolas


Representações dos vinte municípios participaram nesta sexta-feira (13) do Seminário Quilombola do Território de Identidade de Irecê. A atividade, executada pelo Centro de Assessoria do Assuruá (CAA), foi viabilizada através do Edital Novembro Negro 2016, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), e contou com a presença da Prefeitura Municipal. A chamada pública teve, dentre outros objetivos, o resgate do legado das lideranças quilombolas Dandara e Zumbi dos Palmares, referências de resistência contra a escravidão no Brasil. As ações fazem parte da agenda da Década Internacional Afrodescendente na Bahia.

De acordo com a subsecretaria de Educação municipal, Jussara Sena, o evento fortaleceu a articulação de políticas publicas com a participação mais direta das próprias comunidades Quilombolas, além da celebração do Novembro Negro no território. “Além disso, tratamos ainda de outras questões importantes como gênero, etnia e igualdade racial”.

Representando as comunidades presentes, a quilombolas Marilza Gomes afirmou que o projeto tem como um dos principais saldos positivos a integração do segmento. “Nosso Território de Identidade possui o maior número de comunidades remanescentes de quilombo da Bahia, necessitando de um olhar especial por parte dos poderes públicos. Vamos aproveitar este espaço, inclusive, para debater a reativação do nosso conselho representativo”, informou. Ela avaliou positivamente a relação institucional e os diálogos estabelecidos com a Sepromi.

Liderança e ativista social da região, Mário Augusto Jacó, afirmou que as ações em curso têm promovido o fortalecimento identitário dos quilombos. “Aos poucos vamos contribuindo para que o povo construa sua própria história. Precisamos atender a demanda, cada vez mais crescente, de um povo que não é mais invisível. Assim vamos potencializando a sua caminhada” disse.

A secretária da Sepromi, Fabya Reis, afirmou que a política de editais permanentes da pasta tem como um dos principais objetivos a interiorização de políticas públicas de caráter afirmativo. Ressaltou, ainda, que o governo estadual tem trabalhado para dar celeridade às demandas ligadas às questões da garantia do território para as comunidades tradicionais. “Um dos maiores desafios da gestão, na articulação com o Governo Federal, é acelerar a regularização fundiária. Sem o território não é possível alcançar o desenvolvimento, pois é nele que está a água, os animais, a vegetação, além da reprodução da nossa cultura e o jeito de ser tradicional”, destacou.


Ela lembrou ainda das instâncias de diálogo e atuação do governo nas pautas que dizem respeito aos segmentos tradicionais, a exemplo da Comissão Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais (Cespsct), o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), além Rede e do Centro de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa. Sob coordenação da Sepromi também está o Fórum de Gestores Municipais de Promoção da Igualdade Racial, espaço de parceria e troca de experiências com as administrações locais. Além de Irecê, integram o Fórum os municípios de João Dourado, São Gabriel, Ibititá, Ibipeba, Presidente Dutra e Canarana. O evento em Irecê contou, ainda, com a participação do coordenador executivo de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais da Sepromi, Cláudio Rodrigues.

Fonte: Ascom/PMI

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Oleh