25 de outubro de 2013

Grupo de ativistas invadem aula prática com porcos na PUC Campinas

Ativistas invadiram e interromperam nesta quinta-feira (24), uma aula prática do curso de medicina da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas (a 93 km de São Paulo) em que porcos estavam sendo operados pelos alunos.Eles filmaram o procedimento e saíram após a segurança ser acionada. O professor que orientava os alunos, Joaquim Simões Neto, registrou boletim de ocorrência do caso.

Segundo a universidade, os alunos realizavam procedimentos básicos de técnica operatória em cinco animais e a aula integra a grade curricular do terceiro ano do curso.

Entre os procedimentos realizados estão a traqueostomia (corte feito no pescoço para permitir a respiração), a flebotomia (incisão cirúrgica em uma veia) e a drenagem de sangue do tórax - os animais são mantidos vivos durante a operação e sacrificados depois.Os ativistas não tinham autorização para entrar no local e, segundo a assessoria da PUC, um deles é um ex-funcionário que trabalhava no local. Pelo menos duas pessoas participaram do ato.

O grupo invasor faz parte do CIA (Compaixão, Informação e Atitude Animal), um dos coletivos que participaram do resgate dos beagles do Instituto Royal, em São Roque (a 66 km de São Paulo), na semana passada.
"Estive na manifestação em São Roque e conheci os ativistas", diz Flávio Lamas, presidente do Conselho de Defesa dos Animais de Campinas. "Eles me ligaram ontem para avisar o que tinham feito na PUC."Segundo Lamas, a ideia do grupo é "mostrar que animais estão sendo usados desnecessariamente". "Já existem métodos substitutivos para evitar a morte dos animais", afirma.

Para justificar a ação, ele faz uma analogia. "Um piloto de avião aprende no simulador, por exemplo. Não há a necessidade de matar cinco porcos para alunos aprenderem a cortar pescoços".

Defesa
"Não existe nada que substitua esses procedimentos", afirma José Gonzaga, diretor-adjunto dos cursos da área de saúde da PUC Campinas e professor do curso de medicina. "São procedimentos básicos que o médico precisa saber para poder exercer a profissão.Tudo o que podíamos reduzir, como o uso de programas de computador, já foi feito. Mas a tecnologia não substitui algumas coisas e nesses casos temos que usar animais", diz Gonzaga.

A universidade afirma que os procedimentos questionados pelos ativistas são padronizados pela Ceua (Comissão de Ética na Utilização de Animais), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
"Também não havia irregularidade no Instituto Royal", diz o ativista Lamas. "Mas não é por ser legal que é ético."    (Folha)

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Oleh